Sem título para evitar obviedades

O corpo
por não se saber torto
provoca o espaço
Teu cheiro
na pele e mente inteiro
provoca o meu abraço
Os sinos
nomeando-se hinos
provocam os louros da fé
A marca
vangloriando-se de sua faixa
provoca o homem a ficar de pé
Minha voz
sendo arma ou meu algoz
provoca os raios de fogo de Iansã
A saia da moça
com textura de louça
provoca meus orvalhos de manhã
A lua
esposa do mar mãe da rua
provoca a monarquia do sol
O frio
soprando fino e macio
provoca brigadeiro, pipoca e lençol
A estrada
por ser somente a entrada
provoca a partida
O tempo -por ser deus-
e por refletir nos olhos teus
provoca a anarquia da vida
A morte
por ser mais nome do que norte
provoca religião
O sangue
por ter voz e cara de mangue
provoca o coração
A imaginação

provoca a realidade
Meu ouvido
por do silêncio ter se perdido
provoca a minha idade
O universo
em regime e tirania de verso
provoca o direito de se ver o dia
O peito
por direito
– ou por não se ter mais jeito-
provoca a poesia.

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