Sem título até devido acordo

Decidi focar na decoração. Dela deve ser a insuportável liberdade de sentir. E justo porque só dela, pessoas tentam, em atos desesperados, afogar-se em copos d’água, numa ação que antes deveria ser a manutenção do conteúdo. Mas a sede é efêmera, quando se olha para os detalhes em degrade. A água nas paredes perde o foco nas curvas envelhecidas. Minha face.
Em autopiedade observo as pessoas no espelho de mim. Efêmera é, mas o tempo tem estado de gradeado. Difícil de mover-se dentro dele. Me amotino. Essas colunas não deveriam ser barrocas, exploram demais a humanidade de qualquer um. Golpe ao meu próprio Estado. Abaixo à ditadura de me ser em tempo. E a tempo também, já que só se consegue fugir sento avant ou aprés. E de revolução, que o homem mais entendido de qualquer assunto, o qual entende melhor deste que qualquer outro, diria que é errado ser feita por quem se rebela. E por isso talvez desista do suicídio, em vaguidão, do conteúdo que abandono de bom grado.
Mas não como todos faço eu. E ainda me aperta o paradoxo da ocupação assassina da água no corpo que a pede. Mas se os goles fossem reiterados em cada passo que os levou até o copo, talvez o líquido fosse complacente à sua agonia e pusesse em fim rápido e esperado o conteúdo de quem lhe ingeria. Pois mata-se o recipiente, mas jamais a decoração. Viver-se-ia então, essa pessoa de fôrma salva, em pacífico descanso por fora de si. Valendo-se de lembrar que até os menos merecidos são indignos do fim lento e covarde que aproxima-se desavisado. Linguagem taquicárdica essa de fora da fôrma. Ensaio de assassinato no qual não se morre nem posso eu matar aquele diário, cotidiano, ritmado rito ratado em allegro demente. Mas se continua, se cega, se resgata. E não mais sob o cronômetro do arranjo ornamentado de mim, percebo-os todos ao meu redor, exasperando-se vez por outra e saciando a agonizante sensibilidade de se ter preenchido. Porque a ocasião enseja o ladrão, aguardo alguém que observe paredes antes do último instante em vida. Aguardo em hermetismo de desconhecimento. Ao menos alheio de vontades desvanecidas.
Desejo os cegue, os guie e me proteja até o fim dos tempos.

Escrito em sintonia abissal com Mariana Cockles.

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